2026-06-19

O sonho americano segundo Kafka

Numa altura em que está prestes a estrear-se um novo filme sobre a vida do autor, chega às livrarias O Desaparecido, o seu terceiro romance publicado postumamente.

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Escrito entre 1912 e 1914, e originalmente publicado sob o título América pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod, O Desaparecido ganha agora uma nova tradução em Portugal, por Álvaro Gonçalves, respeitando o texto manuscrito, e convidando os leitores a redescobrirem uma faceta única da genialidade de Franz Kafka.
 

O romance acompanha as desventuras de Karl Rossmann, um jovem europeu de 17 anos enviado para os Estados Unidos pela família após se envolver num escândalo doméstico. Ao desembarcar em Nova Iorque, Karl depara-se com um admirável mundo novo: uma América hiperbólica, industrializada e impiedosa.

Diferente do tom claustrofóbico de O Processo ou O Castelo, esta obra destaca-se por um ritmo quase cinematográfico e por momentos de humor negro. Ainda assim, é marcada pela essência de Kafka: a burocracia sufocante, a perda de identidade e a busca desesperada por um lugar ao sol num sistema que pune a inocência.

Esta é uma oportunidade de aprofundar o conhecimento da obra do autor, numa altura em que chega às salas de cinema o filme Franz, um biopic que terá a sua antestreia no dia 2 de julho, às 21h00, no Cinema São Jorge, em Lisboa, no âmbito do Polska Mostra de Cinema Polaco.

Publicado pela Livros do Brasil, chancela do Grupo Porto Editora, o livro encontra-se em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 25 de junho.


SOBRE O AUTOR
Franz Kafka nasceu em 1883, em Praga, no seio de uma família da pequena burguesia judia de expressão alemã. Começou a escrever os seus primeiros textos em 1904. Em 1906, terminou os seus estudos universitários, doutorando-se em Direito. Em vida, publicou apenas sete pequenos livros e alguns textos em revistas. De entre estes livrinhos e textos, destaca-se A Metamorfose, que veio a lume em 1915. Esta pequena novela viria a afirmar-se como uma das suas obras de referência. A 3 de junho de 1924, não resistindo à tuberculose diagnosticada em 1917, morre em Kierling, a poucos quilómetros de Viena, deixando três romances fragmentários, que seriam publicados postumamente pelo seu amigo e testamenteiro Max Brod: O Processo (1925), O Castelo (1926) e América (1927), a que se seguiram volumes com contos, cartas e diários. A sua obra, centrada no homem solitário moderno, refém de uma vida absurda, tornar-se-ia uma das mais influentes do mundo literário do século xx.