2021-08-25

O homem é a força que derruba os tiranos

Cartas a Um Amigo Alemão reúne as reflexões de Albert Camus sobre a França ocupada pelos nazis. Palavras de resistência, escritas e publicadas na clandestinidade

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As Cartas a Um Amigo Alemão que Albert Camus escreveu entre julho de 1943 e julho de 1944, quando Paris vivia sob o jugo nazi, afiguram-se hoje mais inspiradoras do que nunca, pois nelas se abordam os perigos da intolerância nacionalista e a necessidade de nos abrirmos a uma sociedade mais ampla.

Por razões que o próprio autor expõe no breve prefácio à edição italiana, lançada em 1948, até então Camus sempre tinha recusado a sua publicação fora de território francês: «[…] o que eu quero é evitar um equívoco. Quando o autor das Cartas diz “vós”, ele não quer dizer “vós, Alemães”, mas sim “vós, Nazis”. Quando diz “nós”, isso nem sempre significa “nós, Franceses”, mas “nós, Europeus livres”. São duas atitudes que eu oponho e não duas nações, mesmo se, num dado momento da História, essas duas nações chegaram a encarnar duas atitudes inimigas. […] Eu só abomino os carrascos.» As eloquentes missivas são dedicadas a René Leynaud, poeta e combatente da Resistência francesa, fuzilado em 1944.

 

O livro já se encontra em pré-venda e estará disponível nas livrarias a 2 de setembro.

 

SOBRE O LIVRO

Compiladas pela primeira vez em volume em 1945, as quatro cartas que aqui se apresentam foram escritas por Albert Camus durante a ocupação de França pelas forças nazis e publicadas na clandestinidade. Nelas encontra-se expressa a doutrina desenvolvida em A Peste ou O Homem Revoltado: de que o homem é um ser mortal, mas que não deve morrer sem resistência, sem lutar pela justiça. Cartas a Um Amigo Alemão é, nas palavras do próprio autor, um «documento da luta contra a violência» e, prestando testemunho de um dos momentos mais avassaladores da história recente da Europa, revela-se, acima de tudo, um texto de defesa do ideal europeu, cujos argumentos permanecem ainda hoje tão pertinentes.

 

SOBRE O AUTOR

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra que o afirmou como um dos grandes pensadores do século xx. Dos seus títulos ensaísticos destacam-se O Mito de Sísifo (1942) e O Homem Revoltado (1951); na ficção, são incontornáveis O Estrangeiro (1942), A Peste (1947) e A Queda (1956). A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu num acidente de viação perto de Sens. Na sua mala levava inacabado o manuscrito de O Primeiro Homem, texto autobiográfico que viria a ser publicado em 1994.

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