2020-11-04

O Avesso e o Direito é o retrato do escritor quando jovem

Foi o primeiro livro publicado por Albert Camus, em 1937, na Argélia, tinha então vinte e três anos. Só em 1958, depois de receber o Prémio Nobel, o autor aceitou ver o título reeditado

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Brice Parain afirmou diversas vezes que este «livrinho», para usarmos uma expressão do seu próprio autor, contém o que Albert Camus escreveu de melhor. Apesar de, novamente com modéstia e autocrítica, encontrar em O Avesso e o Direito as limitações típicas e naturais da juventude, quando «mal se sabe escrever», Camus admite, no prefácio da obra, que compreende aquilo que o ensaísta e filósofo quis dizer: «há mais verdadeiro amor nestas páginas desajeitadas do que em todas as que se seguiram».

 

O livro estará disponível nas livrarias a 5 de novembro.

 

Treze anos volvidos sobre a última edição em Portugal, a obra está de regresso ao catálogo da Livros do Brasil, agora na coleção Dois Mundos. Abarcando cinco «ensaios literários» — com destaque para aquele que lhe serve de título —, o seu valor, tanto literário como testemunhal, é incontestável.

 

Sobre o livro

O Avesso e o Direito é o primeiro livro de Albert Camus. Foi publicado na Argélia, em 1937, com a tiragem muito discreta de 350 exemplares. Só em 1958, Camus aceitou ver o título reeditado, desta vez em França. E ao reler este conjunto de ensaios da sua juventude descobriu neles a raiz dos temas que alimentaria toda a sua obra. Aqui se apresenta o mundo de pobreza, de pó e de luz da sua infância, aqui se reflete sobre a solidão e a indiferença, aqui se vê despontar a descoberta do absurdo da existência. Este é pois um texto basilar para o conhecimento de um dos grandes autores da literatura moderna, que nunca perdeu, nas suas palavras, «o apetite desordenado de viver».

 

O autor

Albert Camus nasceu em Mondovi, na Argélia, a 7 de novembro de 1913. Licenciado em Filosofia, participou na Resistência francesa durante a Segunda Guerra Mundial e foi então um dos fundadores do jornal de esquerda Combat. Em 1957 foi consagrado com o Prémio Nobel da Literatura pelo conjunto de uma obra que o afirmou como um dos grandes pensadores do século xx. Dos seus títulos ensaísticos destacam-se O Mito de Sísifo (1942) e O Homem Revoltado (1951); na ficção, são incontornáveis O Estrangeiro (1942), A Peste (1947) e A Queda (1956). A 4 de janeiro de 1960, Camus morreu num acidente de viação perto de Sens. Na sua mala levava inacabado o manuscrito de O Primeiro Homem, texto autobiográfico que viria a ser publicado em 1994.

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