2020-02-19

Annie Ernaux na Livros do Brasil com o livro finalista do Booker 2019

Os Anos reconstrói 60 anos da vida de um país, França, e da vida de uma mulher, a própria autora. Eis um envolvente romance biográfico sobre a importância da memória.

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Abrangendo um período que vai de 1941 a 2006, Os Anos revela-nos uma história que é simultaneamente universal e pessoal, transversal e intimista, familiar e social. Neste livro, agora publicado na coleção Dois Mundos, relata-se mais de meio século da história do mundo, e em particular da França, e de uma mulher nunca nomeada, mas que se percebe ser a própria Annie Ernaux.


Através de pequenos fragmentos narrativos, por meio da relação entre fotografias, canções, filmes, objetos ou eventos da história recente, a autora tece, mais do que uma desconcertante autobiografia, uma recordação de um coletivo. Porque um homem, ou uma mulher neste caso, não é uma ilha. «Nessa narrativa de anos mais longínquos só havia guerra e fome», conta logo no início da ação, para depois concluir em tom de confissão: «Vivíamos quase na merda. E ríamos.» Mas isso foi no início. Depois veio a juventude e a descoberta da sexualidade, embrulhadas no amor ao próximo dos anos 60. E a política, sempre a política, o materialismo e o progresso tecnológico, origem e compensação de tantos dramas caseiros.


«Entrecruza memórias, sonhos, factos e meditações numa evocação única dos tempos que já vivemos e em que vivemos ainda.»
John Banville


Este livro de Annie Ernaux, inédito em Portugal, mereceu diversas distinções, entre as quais o Prémio Marguerite Duras 2008, em França, o Prémio Strega 2016, em Itália, e a seleção para o Prémio Man Booker Internacional de 2019. Confirmou a autora como uma das mais importantes vozes da literatura francesa deste século.

 

O livro estará disponível nas livrarias a 20 de fevereiro.

A AUTORA

Annie Ernaux, ou Annie Duchesne de nome de batismo, nasceu em Lillebonne, na Normandia, em 1940, e estudou nas universidades de Rouen e de Bordéus, sendo formada em Letras Modernas. Ingressou na literatura em 1974, com Les Armoires Vides, um romance autobiográfico. Em 2008 edita Os Anos e foi galardoada com o Prémio de Língua Francesa pelo conjunto da sua obra. Recebeu ainda o Prémio Renaudot – em 1984, por Um Lugar ao Sol – , o Prémio Marguerite Yourcenar (2017) e o Prémio Formentor de las Letras (2019). É atualmente uma das vozes mais importantes da literatura francesa, destacando-se por uma escrita na qual se fundem a autobiografia e a sociologia, a memória e a história contemporânea.